A MÃE QUE VIROU MADRASTA

Tomislav R. Femenick
O Jornal de Hoje. Natal, 31 mar. 2008.
O Mossoroense. Mossoró, 03 abr. 2008.
Metropolitano. Parnamirim, 04 abr. 2008.

O Condomínio Pousada do Trapiche, mais conhecido como Condomínio PT, é deveras bizarro. A vida nesse conjunto residencial e comercial, composto de edifícios e casas, é cheia de fanfarronice, jactâncias, extravagâncias e esquisitices. Entretanto o que o mais chama a atenção no Condomínio PT é sua agitada vida política, principalmente depois que seu síndico, o sr. Luiz Eduardo Duda da Silva – ou simplesmente o Duda – tomou posse, há seis anos. Somente quem lá mora é quem sabe o quanto é agitada a sua política.

Antes de assumir o cargo de síndico, ele e sua patota eram contra tudo o que a administração anterior fazia, dizendo que assim o Condomínio iria à falência. O Duda começou reclamando da “herança maldita” que tinha recebido. Depois que assumiu continuou a fazer as mesmas coisas que o antigo síndico fazia, só que atabalhoadamente, com atitudes desconexas e cheias de atrapalhadas. Até hoje, sua principal realização foi tirar uma parte da taxa cobrada dos moradores mais ricos para dar aos mais pobres, ao que deu o nome de Taxa Família.

Todavia, o que chama mais atenção da administração do Duda é que sua oposição é desarticulada e relativamente incompetente. Mas quem precisa de oposição, quando constantemente os seus próprios colaboradores e aliados se envolvem em planos mirabolantes e atrapalhados? Um seu tesoureiro teve um caso com um porteiro, outro se envolveu com um careca e com alguns financiadores de sua campanha eleitoral. Seu braço direito, um tal de Zé que se achava o dono da cocada preta, teve que renunciar ao cargo porque estava metido num projeto de propinas pagas mensalmente. O outro colaborador, um tal de Severino, também renunciou pelo mesmo motivo. Foram tantos os escândalos e colaboradores envolvidos em escândalos que tiveram que renunciar – ou “foram renunciados” – que não há como citar todos. O último foi uma que usou indevidamente um cartão corporativo do Condomínio para fazer compras indevidas.

Mas o Duda tinha um trunfo escondido na manga. Na sua equipe havia uma integrante que era uma verdadeira guerreira, a dona Ilma Russa. Dura de queda, ela foi temperada na década de 60, quando participou de uma luta que havia no Condomínio. Na oportunidade, invadiu o apartamento de um morador e subtrair US$ 2,6 milhões, que estavam em um cofre. Ninguém sabe o destino desse dinheiro, mas dizem que ele foi para financiar o luta clandestina que naquele tempo havia. Foi presa pelo assalto, mas no ano passado ela recebeu R$ 20 mil do governo, a titulo de reparação econômica. Dizem que Dona Ilma ainda guarda o seu espírito de luta e que, nas reuniões com os outros auxiliares da atual administração os trata de forma incivilizada e até mal-educada, sempre impondo sua vontade.

Como o síndico já foi reeleito uma vez e os estatutos somente permitem uma reeleição, Duda vinha apontando a “sargentona” como a mais provável candidata à sua sucessão, nas eleições que haverá daqui há dois anos. Por isso ela tem sido apresentada como a mãe do PUM-Programa Unificado da Melancia, que visa distribuir melancia grátis para todos os condôminos.

Eis que agora, isso é, há coisa de dois ou três meses, se descobriu mais uma extravagância dos colaboradores do síndico Duda: eles estavam usando e abusando dos cartões corporativos do Condomínio. Depois de muitos bate-bocas e quase brigas, o Conselho Fiscal resolveu instalar uma comissão para investigar o uso desses cartões, pelas administrações atual e passada. O que fez dona Ilma? Simplesmente mandou uma amiga organizar um dossiê dos gastos da administração passada, deixou vazar seu conteúdo para a impressa e defendeu o sigilo dos gastos da atual administração, com base na Lei de Segurança Condominial, a mesma que serviu para condená-la pelo assalto ao apartamento de onde levou os US$ 2,6 milhões.

Parece que a estrela da guerreira começou a perder brilho, por mais que Duda diga que isso ainda não aconteceu. Entretanto há quem diga que de mãe do PUM, ela virou madrasta do dossiê.