A crise do capitalismo americano

Tomislav R. Femenick
Tribuna do Norte. Natal, 20 jan. 2008.
Gazeta do Oeste. Mossoró, 20 jan. 2008

Desde que eu comecei a ler sobre economia (e isso foi no início da minha juventude, portanto faz muito tempo), que me deparo com livro, ensaios, artigos e tudo mais anunciando o eminente fim do capitalismo ou, quando não, prenunciando o inicio do seu fim para um futuro próximo. Essas obras são de varias origens ideológicas. Parte do próprio “O capital”, de comunista Marx, e vão até “A crise do capitalismo”, de mega-investidor internacional George Soros, passando por Fernand Braudel, Giovanni Arrighi, Beverly Silver e Andre Gunder Frank. No Brasil temos Maria da Conceição Tavares, Maurício Dias David, Theotonio dos Santos, Maria Yedda Linhares, Théo Araújo Santiago, Osvaldo Coggiola e Vláudio Katz. Esses estudos cobrem pelos menos 400 anos. O capitalismo mudou, já não é mais selvagem, mas não acabou.

Entretanto nosso modo de produção continua alternando momentos de bonança e de crises, como previu o soviético Nikolai Dmitrievich Kondratiev, em sua “teoria dos ciclos da economia capitalista”. Até o final do ano passado, a economia americana e mundial viveu um desses ciclos de bom tempo. Agora se prever um período de crise, crise esta puxada por desacertos da economia norte-americana e pela conjuntura mundial. Por que “puxada” pelos Estados Unidos? Simplesmente porque eles produzem um terço de tudo o se produz no mundo; e consumem muito mais. A queda do consumo americano representará uma retração da demanda do mercado mundial. Em outras palavras: se os norte-americanos comprarem menos, o resto do mundo venderá menos. Se os outros países venderem menos, consequentemente produzirão menos. Então haverá menos lucros para as empresas e menos emprego para as pessoas desses países.

Segundo Alan Greenspan, ex-presidente do Federal Reserve, afirmou ao The Wall Street Journal, “os Estados Unidos provavelmente já estão ou entrarão em recessão”. Diz, ainda, que “os sintomas estão aí. Recessões não acontecem tranqüilamente. São demonstradas por descontinuidades no mercado, e os dados das últimas semanas podem muito bem ser caracterizados dessa maneira”. Os indicadores da crise estadunidense começaram a aflorar com o desmanche do crédito hipotecário oferecido pelo sistema financeiro. Os bancos de lá, em busca de lucros fáceis, criaram uma verdadeira “corrente da felicidade”, pela qual corriam as facilidades de crédito ao consumidor, descuido do sistema financeiro em aferir a capacidade de pagamento dos devedores e repasses dos contratos de uma instituição para outra, até desaguar nos fundos de aplicações e de mutuários de aposentadorias privadas. Essa inconsistência foi detectada pelo próprio sistema capitalista, que não perdoa as ineficiências, por mais camufladas que estejam.

Como reflexo da crise imobiliária, outras atividades começaram a frear suas atividades. Na semana finda, o mercado financeiro internacional ficou nervoso e as bolsas do mundo caíram com receio de mais instabilidade, comprovada pelos indicadores divulgados sobre os índices de preço ao produtor, preços ao consumidor, produção industrial, vendas do varejo, construção de novas residências e pedidos de auxílios-desemprego, lá nos States.

E que é que nós temos com isso? Muito. Uma retração do mercado americano tem repercussão imediata aqui. As empresas americanas que mantêm controladas em nosso país reduzirão seus investimentos no Brasil, fazendo com que o nosso crescimento econômico seja comprimido para baixo. Essas mesmas organizações intensificarão a remessa dos lucros obtidos aqui, para compensar os prejuízos e redução dos ganhos das suas matrizes. Os fundos de investimentos procurarão vender suas posições nas bolsas brasileiras e realizar lucros, também visando neutralizar os resultados da Bolsa de Nova Iorque, Nasdaq e outras mais, até da Europa e Ásia. O resultado seria uma sangria em nossas reservas de moedas forte, o que nos impediria de alcançar o sonho de sermos um “credor liquido internacional”.

Se isso acontecer, o real se desvalorizará, os produtos importados ficarão mais caros e o governo perderá a grande âncora de contenção da inflação. O lado bom da história, se é que há um lado bom, é que nossos produtos ficarão mais competitivos no mercado internacional. O problema é que talvez não haja compradores com recursos suficientes para comprá-los. Ai, então, venderemos menos melão, manga, camarão, sal, soja, café, aviões, automóveis etc. Além do mais, vamos encontrar uma super oferta desses produtos no mercado internacional, o que poderá provocar a sua desvalorização, principalmente dos commodities, dos produtos primários com baixo valor agregado, que formam a locomotiva de nossas exportações. O resultado poderá ser: menos exportações brasileiras, menos emprego de trabalhadores brasileiros.

Recentemente, um amigo meu, professor de uma instituição famosa em São Paulo, escreveu: “É bom que os Estados Unidos entrem em crise. Só assim eles deixam de pensar que são os donos do mundo”. Bom para quem, cara pálida?

EU REPÓRTER

No dia 20 de janeiro de 1971, publiquei a seguinte notícia nos jornais O Povo, Diário de Natal e Diário de Pernambuco:

“HOMENAGEM AO GOVERNADOR CEARENSE – Esteve nesta cidade o governador eleito do Ceará, coronel Cesar Cals de Oliveira Filho, para receber a Medalha Comemorativa do Centenário de Mossoró, pelo seu trabalho para a realização da IV Convenção Distrital Leonística, que se constituiu a maior festividade do Centenário de Mossoró. O encontro leonístico congregou associados de clubes do Distrito L-14, do qual Cesar Cals era governador.

A entrega da Medalha do Centenário foi realizada pela Comissão, por ocasião de um jantar comemorativo ao 14º aniversário do Lions Club de Mossoró-Centro realizado no Esperança Palace Hotel. A entrega da comenda foi feita pelo vice-prefeito José Genildo de Miranda também presidente da Comissão do Centenário, em nome da Municipalidade”.